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Como fugir do calote na vida de freela

Já é difícil conseguir fechar negócio por um preço justo na nossa vida de freelancer… Aí, quando dá certo, ainda convivemos com a insegurança de poder levar um calote e ficar a ver navios. Se isso ainda não aconteceu com você, grandes chances de que ainda aconteça, por mais prevenido que seja.

Eu tive essa experiência com um projeto que me custou a semana de Natal trabalhando das 5h às 20h, mesmo sendo uma empresa grande e conhecida, mesmo tendo uma plataforma no meio da história.

Depois disso, precaução quadriplicada para minimizar os riscos – e toda a dor de cabeça. Neste post, compartilho o que tenho feito e também algumas dicas que recebi de outros colegas freelancers nesses últimos tempos.

Quem sabe você não dá sorte e consegue passar sem um calote na sua carreira como freela?

Dicas para evitar o impacto dos calotes

Prudência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém, então, mesmo que esteja indo tudo bem com os pagamentos de seus clientes, não custa rever seus processos, não acha?

Adotando algumas práticas “mais profissionais” na vida de freela, você evita os calotes e os riscos deles para seu bolso!

1. Estude seus potenciais clientes

Para começar, antes de fechar qualquer novo projeto, tente conhecer um pouco mais sobre este potencial cliente. Se o trabalho for via algum site de freela, você está mais protegido – mas isso vale apenas para as mais consolidadas no mercado.

Com o crescimento de oportunidades para freelancers, muitos sites novos têm surgido. E, infelizmente, nem todos com estrutura para assumir o problema caso algum cliente dê calote. Por isso, sempre leia com atenção os termos e condições, tendo certeza de que você será amparado pela plataforma. Também vale pedir a opinião de outros freelas, para saber como foi a experiência deles em trabalhar para o site em questão.

Agora, se a negociação surgir de forma independente, existem algumas formas de estudar o cliente. Em primeiro lugar, você pode pesquisar em sites como ReclameAqui se há problemas com fornecedores, depois, com o CNPJ da empresa, checar se há alguma informação disponível na internet quanto a ações judiciais, por exemplo.

Em geral, quando o cliente vem por indicação, os riscos são menores. Mas, mesmo assim, vale perguntar a quem fez a recomendação se já trabalhou com esta empresa e como funcionou o processo de pagamento.

2. Formalize suas propostas

Na hora da negociação, outra medida que ajuda a protegê-lo do calote é fazer propostas formais via e-mail, com valor e todas as condições acordadas para o trabalho. Quando vier o aceite, se for por telefone, WhatsApp ou até pessoalmente, peça para o cliente responder ao e-mail no qual a proposta foi enviada, dando um ok formal.

Em geral, caso haja algum problema na hora do pagamento, esta formalização via e-mail já é uma grande ajuda para tomar as medidas necessárias.

3. Faça contratos

Para jobs de maior valor ou recorrentes, vale muito a pena assinar um contrato com o cliente. Nele, devem constar de forma detalhada os serviços, as responsabilidades do freelancer e do cliente para a entrega, o prazo de execução, o número de alterações previstas e, é claro, o valor e o método de pagamento.

Muitas empresas já possuem um modelo de contrato para seus prestadores de serviço e não há problemas em utilizar o de seu cliente, desde que você leia com atenção todas as cláusulas e sugira alterações caso sejam necessárias.

Para quem deseja ter seu próprio modelo de contrato, recomendo o que está no Freelancer Doc Box, que foi criado especificamente para o trabalho freelance.

4. Envolva mais de uma pessoa no cliente

Já aconteceu comigo: o projeto ia lindo e maravilhoso, até o dia que meu interlocutor saiu da empresa e eu não tinha contato nenhum lá dentro para encaminhar meu pagamento. Se tivesse me aproximado de mais alguém da equipe desde o início, certamente teria poupado alguma dor de cabeça.

Mesmo que você não precise de fato falar com mais ninguém em um determinado cliente, tente cavar algumas oportunidades de contato (uma reunião para conhecer o escritório e a equipe, alguns dias alocado, um bate papo por telefone com o financeiro para determinar as cláusulas do contrato).  Além de ajudar em casos extremos como inadimplência, é uma boa forma de cavar mais oportunidades de trabalho dentro de um único cliente.

5. Diversifique sua carteira

Quando boa parte de sua receita vem de um único cliente (ou mesmo de 2 ou 3), o impacto da inadimplência é muito maior, ainda que seja por poucos dias. Por isso, tente diversificar sua carteira de clientes ao máximo dentro do volume de jobs que consegue entregar com qualidade.

Mas, se houver uma boa oportunidade de trabalhar com um único cliente, não precisa negar. Apenas inclua no contrato alguma cláusula que determine um período para notificação prévia antes do fim da parceria e detalhes muito claros sobre prazos de pagamento e sanções em caso de atrasos.

6. Ajuste os prazos de pagamento

O ideal é você receber os pagamentos de todos seus clientes de forma coordenada com as contas que tem para pagar como pessoa física ou pessoa jurídica, certo? Por isso, para ter uma margem de segurança, programe os vencimentos para alguns dias antes de seus compromissos financeiros de maior valor.

Por exemplo, se precisa pagar aluguel todo dia 10, ajuste as datas em que irá receber dos clientes entre os dias 1 e 5 do mesmo mês. Assim, mesmo que haja algum atraso, você tem certo tempo hábil para correr atrás de dinheiro, sem entrar no negativo.

7. Peça um adiantamento

economize

Se está negociando um projeto fixo ou de alto valor, nada impede que peça um adiantamento (pode ser um sinal antes do início do trabalho ou mesmo o parcelamento do primeiro pagamento em 15 e 30 dias, por exemplo). Esta é uma maneira de se proteger enquanto inicia algum job com um novo cliente, especialmente se for algo que demande muito de seu tempo, fazendo abrir mão de outras negociações.

8. Busque ajuda legal

Em alguns casos, infelizmente, não há alternativa além de buscar ajuda legal para que o pagamento aconteça. Isso não significa necessariamente acionar o cliente juridicamente, uma vez que você pode começar enviando uma notificação extrajudicial, comunicando oficialmente o atraso no pagamento e as sanções previstas no contrato assinado.

Dica amiga: procure um advogado para apoiá-lo nessa hora. Bancar o “todo independente” quando não domina a área não vai funcionar…

9. Nada deu certo? Mude de cliente!

Por fim…existem situações em que não há nada a fazer além de seguir em frente. Se o valor for baixo ou se você perceber que o calote do cliente já demandou demais do seu tempo de trabalho, foque mesmo em procurar novos (e melhores) jobs.

Não significa que a inadimplência deva passar em branco, continue cobrando sempre, mas se lembre de que ainda existem outros clientes para atender – e melhor não atrasar o trabalho acordado com eles, mesmo que desfalcado financeiramente.

Case: Pague Meu Freela

Dei minhas dicas aqui em cima. Mas sempre existem maneiras muito mais criativas para ser pago. Duvida?

Se não passou pela sua timeline ou simplesmente já se esqueceu, vale a pena relembrar o que aconteceu em 2014 com um grupo de publicitários. Depois de levarem calote de uma agência, eles criaram uma campanha para receber apoio na cobrança, o “Pague Meu Freela” – com site, redes sociais, vídeo e um ótimo conteúdo.

O resultado? Depois de uma boa insistência, o dinheiro caiu na conta. Moral da história? Não desista de receber!

pague meu freela
Post feito na página do Pague Meu Freela no Facebook

Como você se protege contra o calote?

Já disse no início deste post, por mais que se sinta seguro em relação aos clientes com os quais está trabalhando, é sempre bom manter um pé atrás no quesito pagamento. Estamos no meio de uma crise e, por mais honestas que sejam as empresas que nos contratam, elas também podem ter o fluxo de caixa prejudicado, seja pelo fim de um projeto, seja por necessidade de tapar um buraco no orçamento.

Na dúvida, previna-se. Escolha entre as dicas que apresentei ou então crie seus próprios métodos. Só não vale trabalhar em vão!

Você já teve algum problema mais sério com atraso ou falta de pagamento? Compartilhe aqui nos comentários como foi!

Luciane Costa
Formada em jornalismo e apaixonada por conteúdo digital. Virou freelancer porque precisava de uma grana extra e acabou descobrindo que adora trabalhar assim. Gaúcha e morando em São Paulo, ela é viciada em séries de detetives e adora cozinhar.

Comentários

3 Comentários
  1. postado por
    Matheus Leme
    out 19, 2017 Reply

    Ótimo post! Parabéns!

    Eu me protejo através de contrato mesmo.
    Se o cliente vê seu profissionalismo, ele fica mais receoso de meter um calote.

    Eu já tive experiência de fazer trabalhos com confirmação de whatsapp pra amigos e tomei calote lindo! Até abalou a amizade.

    Abraços!

  2. Helga Bevilacqua
    postado por
    Helga Bevilacqua
    out 19, 2017 Reply

    Muito bacana o post! Adorei! Porém, acho que as soluções “contrato” e “assessoria jurídica” são as menos indicadas para o freelancer. Porque são muito caras! Muitas vezes, executar um contrato por meio de um advogado ultrapassa o valor do job, ou seja, você acaba pagando para receber seu dinheiro! Acho que a cobrança por boleto já resolve mais e é uma alternativa que cabe melhor do bolso dos freelas. Além de ser mais ágil. Cobre com boleto e, caso o cliente não pague, parta para o protesto. Você terá que pagar por esse processo, mas sem dúvida é menos do que uma ação judicial para executar o contrato, e o cliente ficará com o nome sujo logo após o protesto.

    • Luciane Costa
      postado por
      Luciane Costa
      out 22, 2017 Reply

      Sempre bom ter uma advogada para complementar <3
      Concordo sobre ação judicial, só vale a pena se o valor for mesmo grande e em situações bem extremas!

      Obrigada pela contribuição 🙂
      Beijos

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